quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

- Mãe, Pai: EU CRESCI !


Bons eram aqueles meus tempos de criança, geniais eram as minhas brincadeiras, inocentes eram todas as minhas perguntas, assustador era o mundo que se vivia à minha volta e que eu nem tão pouco me apercebia. Parece que ainda há tão pouco tempo estavam os meus pais comigo ao colo dando-me carícias; não é que agora eles não as continuem a dar, até porque para eles eu continuo a ser a mesma bebé, apenas agora as carícias são diferentes; eles sabem, eles sempre souberam, mas nunca quiseram acreditar, um dia aquela bebé pequenina ia crescer, era inevitável.
Eles olham para mim e não vêem mais uma menina pequenina, inocente, delicada, corajosa, amiga de toda a gente, que cooperava com todos os seus conhecidos, pelo contrário vêem uma mulher, sim eu tornei-me uma mulher, áspera, sociável mas sempre com o pé atrás perante esta sociedade, sorridente apenas quando necessário, determinada em todos os pontos, mas acima de tudo muito feliz.
Dias eram aqueles em que os meus pais me viam sorrir sem motivos aparentes, me viam a brincar alegremente sem sequer pensar que um dia mais tarde a sua filha, na altura, inocente e desprotegida, teria de enfrentar uma sociedade perdida em hipocrisia e cinismos.
É verdade que entrei inúmeras vezes em casa a chorar, disse vezes sem conta que nunca mais queria sair de casa para fora, recusava-me a viver neste mundo. Com o tempo fui-me apercebendo que era o mundo em que eu vivia e eu não podia fugir dele. Como não podia deixar de ser, os MEUS PAIS sempre estiveram lá para me apoiar e para me dizer que: eu teria de enfrentar o nosso mundo com todas as minhas forças; tinha que lutar contra ele sem nunca baixar a cabeça, ou então “morria” como todas as outras crianças que não têm força para lutar. Eu assim o fiz, como sempre, dei ouvidos aos meus pais; nunca baixei a cabeça, bati muitas vezes com a cabeça no chão é certo, mas também sempre tive lá a minha melhor amiga, a minha mãe, para me dar o devido apoio; para me dar aquelas palavras certas, no momento exacto que só ela mas sabe dar.
Agora que eu cresci e que tenho uma consciência e um pensamento bem definido consigo olhar para trás e dizer que o meu processo de aprendizagem foi o melhor que alguém pode ter. Sei que pela minha frente ainda vou encontrar muitos mais obstáculos e alguns bem piores do que estes que já até agora passei.
Cada vez que tenho uma reflexão da minha vida só consigo dizer: “Tenho pena da pessoa em que me tornei, mas também tenho a perfeita noção que a culpa não é minha, nem tão pouco dos meus pais, mas sim da sociedade em que vivo.”
Em pleno século XXI a minha vida mudou para nunca mais ser a mesma !

2 comentários:

  1. este texto está realmente bonito , mas acima de tudo sincero. Adoro a forma como te diriges aos teus pais , como falas deles com orgulho e os consideras como os teus protectores , os teus melhores-amigos. Porque realmente o são. Hoje em dia os jovens chamam de 'pais' a aquelas pessoas que os fizeram e que lhes dão algum bem-material ou lhes levam onde eles querem. Mas tu não , tu falas dele com orgulho e isso emociona-me! AMO-TE MUITO NAMORADA (L)

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