domingo, 14 de março de 2010

agora já não é !


De manhã bato a porta, saio para fora e encontro-me comigo mesma, enquanto a melodia toca no meu ouvido, vou pensando, pensando naquilo que sou e naquilo que fui. Pensando naquilo que fazia, e deixei de fazer, naquilo que sentia e deixei de sentir, naquilo que foi e já não é.
Sou mesmo fraca, nem vale a pena conseguir aguentar hoje, se amanhã volta tudo ao mesmo. Sou fraca, e eu não era assim. Eu tinha uma força do outro mundo, eu era forte, mostrava segurança, era independente, na minha cabeça só tinha um objectivo que era viver um dia de cada vez. A paz e tranquilidade habitavam em mim. Tinha o prazer de me levantar todos os dias de manhã com o sol a entrar pela janela do meu quarto, lia todas as mensagens de bom dia, espreguiçava-me e levantava-me, vestia apenas umas calças e a camisola, e saía de casa a ouvir a música mais mexida e que me dava lanço para subir a pior rua cá da zona, chegava a meio inspirava o ar das árvores que tinha à minha volta, e voltava a caminhar com um sorriso nos lábios e a cantar baixo para que ninguém me ouvisse. Quando chegava ao cimo da rua ouvia-se o ritmo do meu batimento cardíaco e a minha respiração acelerados, e eu explodia de vontade e amor. Estava rodeada de pessoas de que gostava e sentia que estavam comigo, tinha prazer em estar com elas, gostava de dividir todas as minhas ansiedades com elas, gostava de rir até não poder mais, de cantar durante o dia inteiro, e quando chegava já o fim do dia... era com enorme felicidade que me despedia com um até manhã, lá caminhava eu pela rua abaixo, cantando novamente, vendo o sol a pôr-se lá no fundo onde se via o mar e a falar contigo da nossa vida. E foram assim os meus dias durante meses, andei a viver um sonho, fiquei mal habituada e não tinha noção de que as coisas não duram para sempre. Eu pensei que nunca teria de dizer um adeus, mas percebi agora que as pessoas vêm, amam, e vão novamente, a vida é agora ou nunca. E para quem pensa que tudo na minha vida foi para esquecer engana-se porque tive momentos bem felizes, sensações únicas, e pessoas inesquecíveis.
Quem me dera voltar a sentir o calor que sentia, quem me dera voltar a ter a sensação de paz e tranquilidade na minha vida, quem me dera ter podido viver aqueles meses para sempre. Mas a vida é agora ou nunca, e já não vale apena pensar naquilo que foi e já não é, embora os viva novamente quando me lembro e escrevo para poder voltar a sentir por instantes um bocadinho daquilo que sentia.

Sem comentários:

Enviar um comentário